De tomate rejeitado ao prato fino: empresária transforma alimento que iria para o lixo em produto de alta gastronomia
30/08/2025
(Foto: Reprodução) Nayara Srreldin apresenta o tomate seco artesanal produzido a partir de frutos rejeitados pelos galpões de Carmópolis de Minas
Nayara Srreldin/Divulgação
Uma empresária de Carmópolis de Minas, na região Centro-Oeste do estado, está mudando a forma como o desperdício é visto na cadeia alimentar. Unindo técnica, sustentabilidade e afeto, ela transformou o que antes ia para o lixo em uma iguaria valorizada na alta gastronomia.
Aos 34 anos, Nayara Srreldin — ou simplesmente Nay, como é conhecida — encontrou nos tomates rejeitados pelos galpões agrícolas da cidade a matéria-prima para criar um produto nobre: tomate seco artesanal, sem conservantes, que hoje conquista restaurantes renomados de Minas Gerais.
Hoje, à frente da marca Tomate Seco da Nay, ela comanda uma produção artesanal que já abastece os melhores restaurantes e pizzarias da região metropolitana de Belo Horizonte e cidades históricas como Tiradentes. A produção gira em torno de 250 quilos de tomate seco por mês, com projeções de expansão e novos formatos de embalagem a caminho.
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Do tomate do galpão à mesa do chef
Tomate seco da marca Tomate Seco da Nay acompanhado de queijos, pães e pão de queijo, pronto para consumo
Nayara Srreldin/Divulgação
Com raízes na roça e alma empreendedora, Nayara nasceu em Belo Horizonte, mas foi criada no povoado de Catita, na zona rural de Maravilhas. Desde a infância, ajudava os pais na lavoura de tomates, sob sol ou chuva, sem imaginar que aquele trabalho árduo traçaria o caminho para o sucesso futuro.
“Para muitos, aquilo era indigente. Para mim, era só o começo”.
Aos 21 anos, mudou-se para Carmópolis de Minas, conhecida como a “capital do tomate”, onde trabalhou com diversos produtores. Foi nessa época que começou a perceber a quantidade de tomates bons para consumo que eram descartados por não se enquadrarem no padrão estético.
"Eu ia nos galpões da cidade e via toneladas de tomates sendo jogados fora. Não estavam podres, só não eram bonitos o suficiente pra ir pra mesa. E ali eu pensei: por que não aproveitar isso?", relembrou.
O incentivo para empreender veio da amiga Mônica, de Belo Horizonte, que sugeriu transformar o excedente em conserva de tomate seco — produto até então pouco conhecido no interior mineiro. “Na hora, eu pensei: quem vai comprar isso? Mas fui com medo mesmo”, contou Nayara.
Foi em BH, ao lado de Mônica e de uma senhora especialista na receita artesanal, que aprendeu a técnica de desidratação em forno, sem conservantes. A partir daí, decidiu abandonar a plantação de tomate grape para se dedicar exclusivamente à conserva.
Mais do que empreender, Nayara encontrou um propósito: reduzir o desperdício e valorizar ingredientes rejeitados pela estética.
"É tomate bom, só não é bonito. Mas ninguém vê o sabor que tem”.
Queijo cremoso decorado com pesto e tomate seco da Nayara, destaque em mesa de alta gastronomia
Nayara Srreldin/Divulgação
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Com apoio do Sebrae Minas e do Sicoob Centro Sul Mineiro, estruturou a produção, conquistou novos mercados e capacitou outras mulheres da cidade. Hoje, com duas funcionárias fixas, planeja investir em embalagens de vidro para facilitar o transporte e ampliar a distribuição.
O resultado do trabalho artesanal surpreende por onde passa. “Todo mundo que prova, elogia. Até hoje ninguém reclamou, só falam que fica cada vez mais gostoso”, afirmou com orgulho.
Entre os clientes estão o tradicional restaurante Carretão Trevo, em Belo Horizonte, além de pizzarias e padarias artesanais. O produto também conquistou chefs renomados da capital e de Tiradentes, que utilizam seus tomates como ingrediente principal em pratos sofisticados.
“Tem um fornecedor de queijo que me procurou só porque ouviu falar do meu tomate”, contou, animada.
A trajetória também é marcada por superação. Mãe de um adolescente com necessidades especiais de 17 anos, Nayara o descreve como sua “força diária”. Ela enfrentou o medo da mudança e o desafio de começar do zero após um divórcio, mas seguiu firme com o apoio de Mônica.
“Minha amiga acreditava mais em mim do que eu mesma. E hoje eu entendo: o que parecia loucura virou meu sustento. Um dia, vendia de porta em porta. Hoje, cliente bate na minha porta”, contou.
Mais sabor, mais impacto
Com crescimento acelerado e produto consolidado no mercado, Nayara quer expandir ainda mais. "Já estou estudando a produção em vidro, quero levar meu tomate para outros estados e mostrar que é possível empreender com consciência", afirmou.
Para ela, o sucesso é fruto de uma combinação rara: raízes no campo, visão de futuro e muito amor pelo que faz.
"Meu sonho era empreender com tomate e trazer algo diferente. E consegui. Sustentável, sem conservante e feito com carinho. Isso me representa".
“Tomate Seco da Nay”: onde encontrar
O Tomate Seco da Nay pode ser encomendado diretamente pelas redes sociais ou pelos canais de contato no Instagram oficial da marca. A produção é feita sob demanda e distribuída em porções específicas para restaurantes e também para consumidores finais.
Tortinhas com pesto e tomate seco artesanal
Nayara Srreldin/Divulgação
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