Presidente eleito da Colômbia acusa Petro de querer dar 'golpe de Estado' e pede que Exército desobedeça ordens do governo
07/07/2026
(Foto: Reprodução) Abelardo De La Espriella
Charlie Cordero/Reuters
O presidente eleito da Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella, afirmou nesta terça-feira (7) que o atual presidente, Gustavo Petro, quer dar um "golpe de Estado" e convocou as Forças Armadas para protegerem a democracia e a desobedecerem a quaisquer ordens nesse sentido.
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Petro questionou repetidas vezes a legitimidade da eleição de De la Espriella e convocou manifestações para 20 de julho, data em que anunciou que fará seu discurso de despedida do mandato.
"Petro e Cepeda iniciaram seu Plano B para permanecer no poder a todo custo. E querem fazer isso por meio de um golpe de Estado... como presidente eleito, peço às Forças Armadas da República da Colômbia que cumpram seu juramento, protejam a Constituição e a democracia e não obedeçam a quaisquer ordens que Petro possa dar em contrário", declarou em mensagem de vídeo divulgada em suas redes sociais.
Petro não havia se manifestado sobre a acusação de Espriella até a última atualização desta reportagem. Mais cedo, o presidente colombiano afirmou, sem apresentar provas, que estariam ameaçando prendê-lo e pediu "união do povo contra um governo ilegítimo".
O processo de transição de poder, que será finalizado com a posse de Espriella marcada para 7 de agosto, ocorre em meio a tensões entre o presidente eleito, apoiado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e Petro, cujo candidato de esquerda, Iván Cepeda, perdeu o segundo turno em uma votação acirrada em junho.
No primeiro turno, disputado em maio, o candidato de ultradireita Abelardo de la Espriella liderou com 43,7% dos votos, seguido pelo governista Iván Cepeda, com 40,90%. Diante dos resultados iniciais daquela etapa, Petro já havia afirmado que não aceitava a pré-contagem e criticou o software da empresa Thomas Greg & Sons (TGS), apontando uma suposta divergência de 800 mil pessoas no censo eleitoral.
Mais cedo nesta terça (7), Espriella disse que suspendeu transição de poder com o governo Petro por afirmar que o atual presidente se recusa a aceitar o resultado das eleições. Leia mais abaixo.
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Transição de poder suspensa
Abelardo de la Espriella ordenou nesta terça-feira (7) que sua equipe interrompa "de maneira imediata" o processo de transição com o governo de Gustavo Petro.
O processo de transferência de poder para a posse de 7 de agosto ocorre em meio a tensões entre o presidente de esquerda, que deixa o cargo, e o sucessor de extrema direita. Petro se recusa a reconhecer o resultado do segundo turno de junho, enquanto De la Espriella acusa o atual governo de corrupção.
De la Espriella, que venceu o segundo turno de junho por margem estreita contra o candidato governista Iván Cepeda, deu "instruções" à sua equipe "para suspender imediatamente o processo de transição com o governo corrupto que encerra seu mandato", segundo publicou na rede social X.
Em meio à transição, De la Espriella afirma ter encontrado indícios de corrupção e "contratos direcionados" durante o governo Petro.
O senador Cepeda reconheceu o resultado da eleição, mas declarou-se em "desobediência civil" diante do novo governo.
Observadores internacionais e autoridades eleitorais descartaram qualquer tipo de fraude ou manipulação no pleito.
"Meu dever é proteger os interesses da nação e garantir uma transição séria, transparente e a serviço dos colombianos, jamais legitimar o desastre nem o desrespeito à ordem constitucional", afirmou De la Espriella.
Sem dar mais detalhes, o presidente eleito anunciou que explicará ao longo do dia "as razões desta decisão".
Advogado sem experiência política anterior, De la Espriella promete estimular o investimento privado, reduzir o tamanho do Estado em 40% e endurecer o combate às guerrilhas e aos cartéis do narcotráfico, em meio à pior crise de violência do país na última década e após as fracassadas tentativas de Petro de negociar a paz com grupos armados.
O presidente eleito já anunciou os nomes de seus futuros ministros do Interior, da Fazenda, do Meio Ambiente e da Defesa.